Em um evento especial ocorrido no último dia 4 de maio na cidade de São Paulo, o escritório Clarke, Modet & Cº Brasil reuniu um grupo seleto de mulheres para refletir sobre a participação feminina na área de Propriedade Intelectual no Brasil

 

Nas palestras proferidas, inicialmente Daniela Fasoli (Clarke, Modet/RJ) informou que o Brasil é líder em publicações científicas feitas por mulheres, porém quando se sai do campo acadêmico para observar a esfera empresarial, se constata que a participação das mulheres em cargos de liderança não chega nem perto da igualdade em relação à condição masculina. No entanto, ela citou o caso da cientista brasileira Celina Turchi que foi considerada pelas revistas internacionais Time e Nature uma das 100 pessoas mais influentes do mundo por sua pesquisa sobre a relação do vírus Zika com a microencefalia. Na área de propriedade intelectual, ela citou importantes invenções feitas por mulheres: o vidro de baixa reflectância para filmadoras que revolucionou a indústria do cinema de Hollywood, de Katharine Burr Blodgett; a tecnologia que deu origem aos sistemas bluetooth e wi-fi, da atriz Hedwig Eva Maria Kiesler (artisticamente conhecida como Hedy Lamarr); a fibra Kevlar muito utilizada em coletes e outros dispositivos à prova de balas, de Stephanie Kwolek; e o limpador de para-brisas de autoria de Mary Anderson. Daniela citou também estudos da OMPI que revelam que de 1999 a 2017 houve um crescimento de 29% na participação feminina nos depósitos do PCT, e terminou falando sobre a grande participação feminina em cargos de liderança dentro do grupo Clarke Modet.

Em seguida Elza Durham, do Achè Laboratórios Farmacêuticos, falou sobre os três “INs” que devem nortear a atuação feminina: inteligência, independência e incentivo, e apresentou às presentes um contexto histórico de desenvolvimento que culminou na identificação de que o córtex pré-frontal (porção do cérebro responsável, dentre outros aspectos, pela tomada de decisões) é maior nas mulheres que nos homens e, portanto, elas têm um grande potencial para liderar - porém na lista dos 23 CEOs mais admirados do país publicada recentemente, apenas uma mulher foi citada. No que se refere à Propriedade Intelectual, um levantamento feito entre os membros da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI) revelou que 60% dos membros são homens e apenas 40% são mulheres e, complementarmente, identificou-se que nas palestras e eventos promovidos pela entidade, a proporção da participação feminina é a mesma. Ao final de sua exposição, Elza afirmou que cabe às mulheres se tornarem mais unidas e incentivadoras umas das outras para que a atuação feminina geral se torne mais expressiva e valorizada.

Por fim, a palestrante Fernanda Araújo fez um relato sobre a empresa japonesa NGK e sua atuação no Brasil, para explicar como a questão da cultura influencia a atuação e participação feminina no mercado de PI, levando em conta o histórico predominantemente machista no qual a mulher deve ser, sempre, submissa. Seus cases geraram discussões interessantes que culminaram em depoimentos de membros da plateia sobre casos afins e as formas pelas quais os mesmos foram conduzidos.

O evento se encerrou em um delicioso coquetel onde houve interação total entre todas as participantes e durante o qual se identificou a necessidade urgente de o Brasil e, mais especificamente, a cidade de São Paulo promoverem e sediarem mais eventos e debates como este, no qual as mulheres têm protagonismo. Um exemplo disso foi a ansiedade geral das mulheres presentes pelo próximo evento, que ocorrerá apenas em 2018.